No que diz respeito a anomalias climatéricas, a seca é no Algarve o cenário mais frequente. Contudo, o padrão de chuvas na região, com tendência para cair uma grande quantidade de precipitação em muito pouco tempo, leva também à ocorrência de cheias e todos nos lembramos certamente de anos em que o Algarve andou com "água pela barba", mesmo em áreas urbanas.
Para minorar a possibilidade de cheias que põem em causa a segurança de pessoas e bens, a correcta limpeza das ribeiras, removendo detritos que possam impedir o regular escoamento das águas, é essencial. Nas ribeiras que atravessam zonas urbanas, essa limpeza cabe às autarquias, mas nas linhas de água não navegáveis nem flutuáveis, essa limpeza cabe aos proprietários dos terrenos marginais. E não pense que aquela ribeira que até seca no Verão e onde não cabe um bote não se pode transformar num rio caudaloso, capaz de inundar margens e muito mais, sob o impulso de uma chuvada "das antigas".
Daí que, como mais vale prevenir, o melhor seja mesmo limpar todos os leitos de ribeiras, mesmo que o último ano até tenha sido de seca.
Para que a limpeza tenha efectivamente resultados positivos e não acabe por se cumprir o velho ditado de que "é pior a emenda que o soneto", a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR) deixa algumas recomendações:
- Realizar as acções, preferencialmente, entre Julho e Setembro;
- Combinar entre os proprietários a realização de intervenções conjuntas, para permitir uma maior eficácia e coordenação. Afinal de contas, se uma ribeira tem seis quilómetros e está repartida pelas terras de três proprietários, se apenas dois procedem à limpeza enquanto o terceiro continua a deixar a sua parte do leito da ribeira cheio de detritos, é efectivamente trabalho perdido;
- Promover a manutenção ou o aumento da extensão de vazão existente na linha de água;
- Remover apenas detritos, nomeadamente vegetais e material sólido, que possam criar obstáculos ao normal escoamento da água;
- Encaminhar os materiais removidos para local apropriado;
- Não promover o aumento das cotas naturais dos terrenos nas margens;
- Proceder apenas ao corte das partes aéreas da vegetação marginal que esteja a obstruir o leito e a vegetação em mau estado de conservação, nomeadamente árvores e ramos mortos);
- Não arrancar as raízes das plantas nos leitos e margens dos cursos de água;
- Usar preferencialmente meios e técnicas tradicionais, com recurso a equipamentos de corte ligeiros, nomeadamente moto-serras e moto-roçadeiras, entre outras. O uso de maquinaria pesada está sujeito, nomeadamente retro-escavadoras e camiões, está condiocionado a autorização por parte da CCDR.
- Promover a plantação de vegetação típica das ribeiras do Algarve, nomeadamente o loendro, a tabúa-estreita, a tamargueira, o choupo-branco e o freixo.
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