Vila Real de Santo António

Vista aérea de Vila Real de Santo António

Correspondendo à sede do Concelho, esta Freguesia engloba a cidade de Vila Real de Santo António e a metade Leste do Sítio das Hortas, no troço da Estrada Nacional 125 que liga Vila Real à vila de Monte Gordo.

O Sítio das Hortas é assim designado por, até há várias décadas atrás, ter tido muito menos habitações e muito mais pequenas hortas. Daí tiravam os habitantes da zona o seu sustento, quer através de consumo directo, quer através da venda dos produtos em Monte Gordo e na "Vila", designação simplificada pela qual, ainda hoje, quem mora nos arredores designa a cidade sede do concelho.

A "Vila", elevada a cidade em 1986, teve o seu principal núcleo construído entre 1774 e 1776, por vontade expressa do Marquês de Pombal. A terra nasceu numa área que pouco mais era que um deserto de águas e areias, escassamente frequentada por pescadores nómadas, muitos dos quais eram espanhóis. A vontade de cobrar direitos alfandegários aos frequentadores da zona, travando o contrabando, e provar a Espanha que também aqui era terra portuguesa levou ao nascimento da vila, imponente para a época, cuja Zona Ribeirinha se erguia como um desafio a Espanha e à povoação que se erguia na margem esquerda do Guadiana; Ayamonte.

Se a zona onde hoje se ergue Vila Real de Santo António era pouco povoada à data da sua Fundação, outro tanto não se poderia dizer de épocas anteriores. Na mesma zona se erguia, talvez dois séculos antes, a povoação piscatória de Santo António de Arenilha, à qual D. Manuel I tinha concedido Foral em 1513. O mar e as areias acabaram por tragar a povoação, afastando qualquer veleidade de alguém ali se pretender estabelecer em permanência. Foram precisos mais dois séculos e uma vontade férrea, para que a zona voltasse a ser efectivamente povoada. Quanto à anterior povoação, nem tudo se perdeu nas areias. Legaria à sua sucessora o nome do Santo.

Os tempos hoje são outros, e a cidade de Vila Real de Santo António tem no comércio com a vizinha Espanha boa parte das suas fontes de receita. Os mesmos espanhóis, que na altura importava conservar à distância, constituem boa parte de quantos frequentam os restaurantes da cidade, em busca da boa gastronomia regional, onde o peixe e o marisco "dão cartas".

O património arquitectónico pombalino constitui uma outra boa razão para visitar a cidade. Um passeio que promete também muito pouco esforço: as ruas do Centro Histórico são completamente planas e boa parte delas estão fechada ao trânsito. 

Para mais informações sobre esta Freguesia, é possível consultar as seguintes obras, disponíveis no Centro de Informação e Documentação (Biblioteca Municipal) de Vila Real de Santo António:

- Dicionário Enciclopédico das Freguesias, 4.º Volume, págs. 420 a 424, editado pela Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), em 1998;

- Monografia do Concelho de Vila Real de Santo António, de Ataíde de Oliveira (1908), editado pela Editora Algarve em Foco e patrocinada pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, em 1999;

- Vila Real de Santo António, Reflexos do passado em retratos do presente (contributos para o estudo da história vila-realense), da autoria de Hugo Cavaco e editado em 1997, pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António;

- Vila Real de Santo António - cidade de suaves mutações - um século de fotografias, com textos de Hugo Cavaco e João Romão, produzido pelo Gabinete de Apoio ao Investimento da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António.