Guadiana

 

rio guadiana

O rio Guadiana nasce num belíssimo lugar junto às Lagunas de La Ruidera, na província espanhola de Albacete, para vir desaguar no Atlântico, junto a Vila Real de Santo António e Ayamonte (Espanha), depois de percorrer uma extensão de 830 km.

É navegável nos últimos 48 kms, do Pomarão até à foz, onde a sua largura varia entre os 100 e os 500 metros. O vale por onde corre formou-se com a terceira revolução geológica da Terra, antes da qual praticamente todo o território nacional estava submergido.

A zona mais próxima da foz, o estuário, é uma área limite que assinala a fronteira entre meios díspares: a relação entre a água e o continente ou entre as influências da água doce do Rio e a salgada do Oceano, criam uma grande variedade de componentes físicos, químicos e biológicos. Essas variações chegam a ser diárias, (com a acção da maré, enchente ou vazante), sazonais )a chuva pode fazer submergir territórios secos em outras alturas e causar grandes variações na relação entre água doce e água salgada) ou resultantes da acção humana (com as descargas das barragens).

Apesar da serenidade dos seus movimentos e da tranquilidade da paisagem ao seu redor, o leito do Guadiana é lugar em permanente mudança, o que lhe permite assumir diferentes características e ser habitat de uma grande variedade de espécies. A sua rara beleza tem sido preservada por um dos estuários europeus onde é menor a intervenção humana. A generalidade dos afluentes do Guadiana, na zona do Estuário, são ribeiros cuja formação se deve essencialmente à acção da chuvas, o que torna o seu caudal médio baixo em relação à generalidade dos rios ibéricos (78.8 m3 por segundo), mas de características semelhantes à dos rios mediterrânicos.

Descendo o Rio, a predominância da água doce verifica-se até ao Álamo, onde se entra numa zona intermédia que se estende até ao ponto onde desagua a Ribeira de Odeleite e onde começa a ser dominante a influência da água salgada. Em torno do leito do Rio estendem-se zonas húmidas, planas nos primeiros 10 quilómetros a partir da Foz (terrenos de areia ou argila formando sapais, onde a altitude não chega a atingir os 35 metros) e mais irregulares desde esse ponto até à zona de Alcoutim (aparece o xisto e o cascalho e a altitude atinge os 250 metros).

As margens do Baixo Guadiana foram sucessivamente ocupadas por povos navegadores: os fenícios (do séc. VIII a.C.) e os gregos (dois séculos depois) abriram o caminho seguido por cartagineses, romanos e árabes, que utilizaram o rio como via de penetração no sudoeste da Península Ibérica. Na época o rio era navegável até Mértola, o que originou um movimento intenso de transporte de mercadorias, como os minérios, o trigo, o couro, o mel, azeite, sal ou pescado. O Guadiana viria a tornar-se fronteira entre Portugal e Espanha após a ocupação cristã do Algarve (séc. XIII) e da Andaluzia (século XV), tendo a zona em redor da foz do Guadiana sido rapidamente conquistada aos mouros (Ayamonte em 1239 e Castro Marim e Cacela em 1240).

A partir de finais do século XIX, tornou-se um importante porto de entrada de barcos de pesca marítima para abastecer as fábricas de conservas e as lotas. Os cais e portos foram-se desenvolvendo e também os estaleiros, de construção e reparação naval, nas duas margens do Rio. Actualmente é cada vez maior a utilização do Rio por embarcações de recreio, de onde se pode desfrutar a plenitude paisagística e ambiental do Guadiana.